Pesquisas

Uso de probióticos provoca efeitos positivos em pacientes com depressão moderada

A depressão é um problema crescente de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde atualmente estima que essa doença afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Suas imensas repercussões físicas, mentais e socioeconômicas fazem da depressão uma área-chave do foco da pesquisa e enfatizam a necessidade de novas estratégias de tratamento. Apesar dos esforços contínuos para descobrir novos antidepressivos, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) permaneceram como a base do tratamento médico por mais de 20 anos. No entanto, muitas preocupações foram levantadas sobre a eficácia e tolerabilidade dos ISRSs. Os resultados de várias metanálises em grande escala colocaram em questão o significado clínico dos ISRSs em relação ao placebo. Além disso, a adesão aos antidepressivos atuais é conhecidamente ruim, com menos de 50% dos pacientes demonstrando aceitação adequada em um período de 6 meses. Dados os muitos desafios que preocupam o uso de ISRSs, são necessárias modalidades inovadoras de tratamento para combater a depressão.

Nos últimos anos, os probióticos têm atraído atenção significativa para a sua ampla gama de usos clínicos, que vão desde distúrbios gastrointestinais (GI) a doenças autoimunes e problemas da pele. Vários estudos têm explorado a ligação entre a microflora intestinal e os transtornos do humor, investigando o papel do eixo intestino-cérebro na fisiopatologia da depressão. Há uma teoria de que as bactérias intestinais desempenham um papel importante na sinalização bidirecional entre o cérebro e o intestino, de forma que a ruptura do eixo do intestino-cérebro é, portanto, associada a doenças físicas e neurológicas. Além disso, pesquisas relativamente novas delinearam o papel da desregulação imunológica como parte da patogênese da depressão. Assim, ensaios pré-clínicos em modelos animais descobriram que o consumo de probióticos regula negativamente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), promove a biossíntese de GABA (conhecido por ser reduzido em pacientes com depressão) e aumenta os níveis de serotonina pelo aumento da produção de triptofano, um precursor da serotonina.

Os resultados de outra metanálise indicaram que as formulações probióticas têm um impacto psicológico positivo e podem oferecer uma mudança de paradigma no tratamento da depressão como adjuvante à terapia padrão.

Evidências atuais sugerem que um benefício estatisticamente significativo dos probióticos é visto em pacientes com depressão moderada. E, ao contrário dos ISRSs, são bem tolerados, sem eventos adversos relatados pelos 1349 pacientes registrados coletivamente nos dez estudos incluídos.

Apesar de indicativos insuficientes do uso de probióticos para aliviar os sintomas depressivos, a ligação entre a microbiota intestinal e a função neuropsiquiátrica é um fenômeno bem pesquisado. Neurologicamente, o nervo vago e o sistema nervoso entérico demonstraram produzir efeitos ansiogênicos e ansiolíticos baseados em estímulos de bactérias intestinais. Ao fazer isso, o microbioma intestinal tem um impacto direto na reatividade ao estresse, com o nervo vago atuando como uma rota crucial de comunicação. Além do mais, a biossíntese microbiana e a modulação de neurotransmissores como a serotonina e GABA (ácido gama-aminobutírico) formam outro mecanismo pelo qual a microflora intestinal pode influenciar a função cerebral e afetar o humor. A administração de probióticos promove a biossíntese de GABA (conhecido por ser reduzido em pacientes deprimidos) e aumenta os níveis de serotonina, pelo aumento da produção de triptofano, seu precursor.

Dentre as preparações disponíveis para entrega de probióticos, estão as formulações liofilizadas, os modos convencionais, como comprimidos e cápsulas, e os não-convencionais, tais como queijos, iogurtes e o leite, os quais devem ser protegidos contra ambientes adversos para sobreviver ao trânsito gástrico.

Um estudo longitudinal descobriu que o consumo de iogurte integral estava associado a uma menor incidência de depressão. Mas, embora seguro e saboroso, não se pode recomendar que os probióticos substituam os medicamentos antidepressivos como tratamento primário para pacientes deprimidos. Estudos futuros devem ser realizados em amostras maiores de pacientes diagnosticados com Transtorno Depressivo Maior (TDM) e examinar o uso de probióticos como um tratamento adjuvante.

Fonte: A meta-analysis of the use of probiotics to alleviate depressive symptoms, Qin Xiang Ng, Christina Peters, Collin Yih Xian Ho, Donovan Yutong Lim, Wee-Song Yeo

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